Mono-carvoeiro (1983)

Mono-carvoeiro (1983)
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Preço: R$460,00
Disponibilidade: Em estoque
Modelo: xilogravura
Fabricante: Angela Leite
Classificação média: Sem classificação

Brachyteles arachnoides

Xilogravura, 36 x 25cm (VxH)

Distribuiçao: Mata Atlântica (Brasil)

Muriqui (Brachyteles arachnoides)

A Mata Atlântica, outrora extensa e ainda hoje pujante nos fragmentos remanescentes, é o habitat do maior primata americano. Esta mata, que foi a providencial sentinela, defendendo o planalto brasileiro, do norte ao sul, das intempéries climáticas, tornou-se adversária do “progresso” desde os tempos coloniais. Os cerca de 1.300 muriquis que restaram de uma população estimada em muitos milhares, espelham a devastação imposta à sua floresta, reduzida a 5% de sua extensão. Confinados em ilhas da mata, o maior mamífero endêmico do Brasil está sob a proteção de particulares ou reservas federais, o que não impede que caçadores clandestinos ainda eliminem alguns exemplares da população remanescente. Numa área onde a cobertura florestal perdeu mais de 80% de sua área original, nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, não é espantoso que as maiores populações de muriquis estejam em reservas como RPPN Feliciano Miguel Abdala, em Caratinga, onde vivem cerca de 200 animais e no Parque Estadual Carlos Botelho, em São Paulo.

Outros grupos, como o da mata do Sossego, com aproximadamente vinte e um exemplares, necessitam de cuidados especiais, pela ameaça de degeneração por repetidos cruzamentos consangüíneos. Num país onde a carne de macaco é uma das caças mais apreciadas, havendo quem lhe atribua até virtudes afrodisíacas, é penoso manter uma vida de andarilho carregando 13 kg, distribuídos por 1,20 m e que se alimenta basicamente de folhas, que possuem baixo teor energético.

Um único filhote é gerado a cada ano, após uma gestação de 210 dias. O filhote se agarra à mãe com a cauda fortemente preênsil desde os primeiros dias e o desmame não acontece antes dos 18 meses de idade. Às oito horas da manhã o minguado grupo começa a despertar, refeito da labuta da véspera, para mais um dia de precária sobrevivência. Por esta peculiar agonia o muriqui foi escolhido como símbolo da campanha para a preservação da natureza, encabeçada pela FBCN.

Tão ameaçado quanto o urso-panda, do qual se presume haver mais de mil exemplares e que foi escolhido como símbolo da mesma campanha, em nível mundial, o muriqui não comoveu o seu país de origem com seu extermínio. Paradoxalmente, foi socorrido com recursos estrangeiros, pelas mãos do World Wildlife Fund, para a compra dos cem primeiros, dos 957 hectares, da reserva de Caratinga.

Não é vantajoso ser o maior macaco americano num país em que os “pitecofagídeos” (comedores de macaco) ainda estão em atividade. Mas sobreviver a tão duras penas, se não desperta o socorro efetivo, devia ao menos despertar o respeito dos brasileiros.

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