Uiaras (1992)

Uiaras (1992)
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Preço: R$850,00
Disponibilidade: Em estoque
Modelo: xilogravura
Fabricante: Angela Leite
Classificação média: Sem classificação

Inia geoffrensis

Xilogravura, 39,5 x 60,5cm

Distribuiçao: Floresta Amazônica

Uiara (Inia geoffrensis)

Intregrando a família dos platanistídeos, que congrega quatro gêneros atuais de odontocetos, três dos quais exclusivamente fluviais, a nossa Uiara se destaca por ser o maior de todos eles, chegando os machos a cerca de 3 m e 125 kg. Representa antiga família outrora comum e marinha, hoje restrita e fluvial, com membros fósseis nas Américas, Ásia e Europa e uma única espécie - a toninha - que prefere o estuário e não o curso interno dos rios. Mais lento e sossegado que os golfinhos do mar e o amazônico tucuxi, este boto nada geralmente entre 1,6 a 3,2 km/h, atingindo um máximo de 16 km/h em caso de extrema dificuldade, variando seu sopro de um tipo longo e arrastado, quando desliza suavemente, para algo semelhante a um espirro, quando está mais ativo. Dispõe de cauda e nadadeiras robustas o bastante para mantê-lo estável e apto para manobras de lenta navegação, ao contrário dos golfinhos mais rápidos (Lissodelphis e Phocoenoides, por exemplo),  que as possuem desproporcionalmente pequenas e estreitas. A suposta vagareza mental foi fortemente desmentida por repetidos testes em cativeiros. Costuma inspecionar os arredores com seus miúdos mas funcionais olhos à flor da água, chegando curioso perto dos barcos e abocanhando-lhes os remos. O chapinhar destes, na água, é o que parece mais atraí-lo, ficando célebre o caso documentado do pescador que chamava “seu” boto, batendo com os remos na lateral do barco ou com um assobio especial, para com ele colaborar, tangendo os peixes para locais mais rasos, onde pudesse lanceá-los.

Uma testa protuberante incha-se ou se desincha à vontade do dono, como nas belugas, permanecendo à tona em sua natação horizontal, que ainda revela o espiráculo e o ângulo superior de sua obtusa nadadeira dorsal, mais ao estilo de um jacaré do que de um golfinho. Também como aqueles brancos “canários do mar”, o pescoço tem uma mobilidade de 90º em relação ao corpo. Um ralo bigode lhe rodeia o bico, cumprindo certamente a função de órgão táctil ao focar caranguejos e camarões no fundo lodoso, de cabeça para baixo nesta empreitada.  Ostenta sempre um sorriso, com a boca curvada para cima, onde se implanta uma dentição única entre os cetáceos; sendo os frontais cônivos e afiados e os posteriores molariformes, pode prender e triturar peixes siluriformes, incluindo os encouraçados cascudos, comuns na região. Vale-se do recurso da ecolocação para a localização de comida, como os demais golfinhos de água doce, compondo variada dieta de caracídeos (inclusive a piranha), ciclídeos (como os acarás), peixes de couro e crustáceos. Suplanta colegas marítimos da ordem na predominância auditiva sobre a visual, desenvolvida por séculos de adaptação às águas turvas e escuras freqüentes em seu habitat.

Sua ecologia bastante desconhecida se regula pela flutuação do nível dos rios, pois na época da enchente a fauna do leito fluvial se dispersa na superfície e, na vazante, se concentra. Nos meses chuvosos são vistos aos pares ou solitários, reunindo-se em grupos de 12 a 20 na estiagem. De janeiro a maio, quando o rio sobe 10 m, perseguem os peixes que vêm comer na várzea inundada, viajando ate 100 km do curso principal, para onde retornam no tempo da seca.

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