Baleia-franca (1985)

Baleia-franca (1985)
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Preço: R$700,00
Disponibilidade: Em estoque
Modelo: xilogravura
Fabricante: Angela Leite
Classificação média: Sem classificação

Eubalaena australis

Xilogravura, 26 x 96cm (VxH)

Distribuiçao: Oceanos do Hemisfério Sul

Baleia-franca (Balaena glacialis)

Este robusto balenídeo, conhecido também como baleia verdadeira, baleia basca, baleia certa ou de Biscaia, foi durante séculos o preferido dos baleeiros, pois é vagarosa, dócil, rica em óleo, de grandes e valiosas barbatanas e ainda por cima bóia depois de morta. Foram os caçadores americanos que a consagraram com o nome de “baleia certa para matar”. Seu corpo é maciço, mais volumoso que o das rorquais, preto com manchas brancas irregulares na parte inferior e apresenta calosidades características na cabeça, onde se alojam parasitas. Não apresenta nadadeira dorsal e freqüenta as águas polares no verão e as temperadas no inverno, onde vem se acasalar e dar à luz. As nadadeiras e a cauda são incorporadas, as barbatanas chegam a 2 m e a cabeça, compacta, corresponde a 1/4 do corpo, que pode crescer até 18 m. Essa solidez não a impede de ser também especialista em breaching, aquele salto espetacular, para fora d’água, que tornou famosas as jubartes. A aparência pesadona é desmentida por uma formidável flexibilidade que lhe permite que a cabeça quase lhe toque a cauda, nestas acrobacias aéreas. Sua velocidade é de cinco nós e ela costuma respirar sete vezes, antes de mergulhar, por mais de 15 minutos. Volta em seguida à tona, onde expira seu peculiar jato duplo em forma de “V”. Alimenta-se de boca aberta, “pastando” sobre um aglomerado de crustáceos minúsculos, que vão se acumulando em sua boca, até que a baleia a fecha e expulsa a água com a língua. Os crustáceos ficam retidos pelas barbatanas, providas de cerdas bem mais finas que as das rorquais, adaptadas a este consumo de copépodes menores. São promíscuas, casando o macho e a fêmea com vários pares. É comum fêmeas esquivas repelirem o assédio dos pretendentes, mantendo por tempo prolongado sua cauda levantada para fora d’água, enquanto o repelido aguarda resignadamente. Uma vez aceito, o companheiro abraça e acaricia a eleita com as nadadeiras, recosta e desliza contra seu corpo, com a habilidade de um bailarino. O namoro é longo, ruidoso e não dispensa estrepitosas demonstrações de júbilo com saltos ornamentais, batidas de cauda que agitam a superfície do mar e cantorias variadas. O rebento nasce doze meses depois, já medindo cinco metros. Um grupo de baleias-francas, descobertas em 1969, foi estudado por Roger Payne na península argentina de Valdez. Isolado e protegido, este grupo fascinou os cientistas, que concluíram que até as tempestades de alto mar são objeto de brincadeira para estes jocosos gigantes. Pulavam para fora d’água, brincavam com o equipamento da pesquisa e ainda se faziam acompanhar por golfinhos e leões-marinhos. Em nosso país, eram abundantes no litoral Sul, até São Paulo. Apesar da caça ter sido proibida desde a década de 1930, pois sua extinção era iminente, foi capturada artesanalmente em Santa Catarina até 1974. A FBCN constatou entre 1981/82 que depois de 50 anos da interdição da captura ela mostra sinais de recuperação em nossa costa, com o aparecimento de julho a setembro de mais indivíduos, fato não verificado com a população do Hemisfério Norte. Seus hábitos costeiros de procurar águas mais rasas para amamentar e dar à luz tornam-na vulnerável ao ataque de pescadores e curiosos, que nos últimos anos dão mostra de maturidade, chegando a sacrificar uma rede para libertar um baleote inadvertidamente capturado. Calcula-se que não restem muito mais que mil a quatro mil baleias-verdadeiras, reunidas em grupos mínimos pelos mares afora. Seu processo de extinção remonta aos idos do século XIX, quando métodos primitivos deram conta de 13.800 espécimes anuais. Esgotada a população do Hemisfério Norte, para fins comerciais, ainda no século XIX, a meridional levou duas décadas para se exaurir, sendo proibida sua caça em 1935. Se as baleias são pouco prolíferas, podendo uma fêmea gerar apenas cerca de doze filhotes em condições ideais, ao longo da vida, parece que o brasileiro começa a entender que sua caça é feita “com tempero de sangue e mais alguma coisa do fundo escuro da mente”, como diagnosticou o mestre Drummond.

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